Sem negociação, não há acordo: trabalhadores do SERPRO rejeitam proposta

A assembleia das trabalhadoras e trabalhadores do SERPRO realizada nesta quarta-feira (18/03) deu um recado claro à direção da empresa: a proposta apresentada para a PLR foi rejeitada.

A decisão não foi casual, foi resultado direto de um processo marcado pelo desrespeito. Durante todo o ano de 2025, a empresa se recusou a abrir negociação. Quando finalmente sentou à mesa, já em janeiro de 2026, apresentou uma proposta fechada, sem margem de diálogo um movimento que esvazia qualquer noção real de negociação coletiva.

A categoria não aceitou esse jogo. Não há legitimidade em uma proposta construída unilateralmente, ainda mais quando a própria direção da empresa define suas regras de remuneração variável (RVA) com liberdade e perspectiva de valores que podem ultrapassar a casa dos 100 mil reais, chegando a até três salários adicionais. Esses valores são pagos aos Diretores. O contraste é evidente e inaceitável.

O debate também expôs o acúmulo de insatisfação com outras medidas que impactam diretamente os trabalhadores, como o reajuste de quase 30% no plano de saúde, que já compromete a renda de muitos colegas, sem que haja solução concreta apresentada pela empresa.

Outro ponto sensível foi a proposta de contribuição assistencial vinculada à PLR, com desconto de 6% limitado a R$ 240. O posicionamento é claro: o fortalecimento sindical é essencial e deve ser sustentado pela categoria, mas não por meio de um desconto sobre a PLR e muito menos em um percentual elevado como o proposto.

A assembleia reafirma um princípio básico: não há negociação sem diálogo real, não há acordo sem respeito. A rejeição da proposta é, acima de tudo, uma sinalização política da categoria de que não aceitará imposições.

O próximo passo exige organização, pressão e unidade. A empresa precisa entender que quem sustenta o SERPRO são seus trabalhadores — e que qualquer tentativa de atropelar esse fato terá resposta coletiva.

Todos os estados já realizaram suas assembleias, sendo que SC e RS rejeitaram a proposta, os demais estados aprovaram.

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