Lucro bilionário, demissão em massa: a escolha do Grupo Softplan expõe a lógica do setor de tecnologia


O Grupo Softplan, uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil, com sede em Florianópolis (SC) e mais de 35 anos de atuação, anunciou a demissão em massa de mais de 120 trabalhadores.
A decisão ocorre em um cenário que desmonta qualquer justificativa baseada em crise. O grupo faturou R$ 800 milhões em 2024, projeta alcançar R$ 1 bilhão em 2025 e mantém contratos com mais de 900 instituições públicas em todo o país, com forte atuação no sistema de Justiça.
Ou seja: há crescimento, há estabilidade e há lucro. Ainda assim, a escolha foi cortar trabalhadores.
Entre os demitidos estão 6 pessoas com deficiência (PCDs), o que acende um alerta ainda mais grave sobre o impacto social das demissões. Além disso, a esmagadora maioria dos desligados possui menos de 5 anos de empresa — trabalhadores que estiveram diretamente envolvidos no ciclo recente de expansão da companhia.
Para o SINDPD/SC, o que está em curso não é um caso isolado, mas parte de um movimento mais amplo no setor de tecnologia, em que empresas altamente lucrativas vêm adotando demissões em massa como estratégia de reestruturação e aumento de margem, transferindo o custo dessas decisões para os trabalhadores.
O Sindicato repudia de forma contundente a postura da empresa. Não é aceitável que, diante de resultados financeiros expressivos, a resposta seja a eliminação de postos de trabalho e o descarte de profissionais que ajudaram a construir esses mesmos resultados.
Diante desse cenário, o SINDPD/SC já está reunido com sua assessoria jurídica para definir e adotar todas as medidas cabíveis frente à demissão em massa.
Mais do que uma decisão interna, o caso levanta um debate urgente sobre o modelo que vem sendo adotado no setor de tecnologia no Brasil: crescimento baseado na precarização, na rotatividade e na substituição constante da força de trabalho.
O SINDPD/SC seguirá acompanhando o caso, atuando na defesa dos trabalhadores atingidos e cobrando responsabilidade social de empresas que, ao mesmo tempo em que ampliam seus lucros, promovem cortes profundos em seus quadros.
Não se trata apenas de números.
Trata-se de trabalhadores, de direitos e do limite que não pode ser ultrapassado em nome do lucro.







