Inteligência artificial, demissões em massa e o lucro das big techs


A inteligência artificial se tornou um dos principais motores da transformação tecnológica no mundo. Sistemas capazes de gerar código, analisar grandes volumes de dados e automatizar tarefas complexas estão mudando rapidamente a forma como empresas produzem software e organizam o trabalho.
O avanço dessas tecnologias também está sendo acompanhado por investimentos gigantescos das grandes empresas globais de tecnologia.
A Microsoft investiu mais de US$ 13 bilhões na OpenAI, enquanto Amazon, Google e Meta anunciaram planos de investir dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos anos. Projeções internacionais indicam que o mercado global de IA pode ultrapassar US$ 1 trilhão até 2030.
Esse cenário mostra que a inteligência artificial se tornou um dos principais eixos de disputa econômica e tecnológica no mundo.
Mas ao mesmo tempo em que o setor registra investimentos bilionários, outra realidade tem chamado atenção: a onda de demissões em massa nas empresas de tecnologia.
Desde 2022, mais de 400 mil trabalhadores do setor foram demitidos globalmente, segundo monitoramento do portal Layoffs.fyi. Empresas como Google, Amazon, Meta, Microsoft e Salesforce realizaram cortes significativos de pessoal mesmo mantendo altos níveis de faturamento e investimento.
Parte dessas mudanças está ligada à reorganização das empresas diante das novas tecnologias.
Ferramentas de inteligência artificial têm capacidade de aumentar significativamente a produtividade em diversas atividades do desenvolvimento de software. Estudos da consultoria McKinsey indicam que até 30% das tarefas atuais podem ser automatizadas até 2030, especialmente atividades repetitivas ou operacionais.
Isso não significa que profissionais de tecnologia deixarão de existir. Pelo contrário: a transformação digital continuará demandando trabalhadores qualificados.
O que está em jogo é como essa nova produtividade será distribuída.
A inteligência artificial pode contribuir para melhorar a organização do trabalho, reduzir jornadas e ampliar a eficiência das equipes. Mas também pode ser usada para concentrar ainda mais renda nas grandes empresas, reduzir equipes e aumentar a pressão por produtividade.
Por isso, o debate sobre inteligência artificial não pode ficar restrito apenas à inovação tecnológica.
Ele também precisa incluir o futuro do trabalho em tecnologia.
Em um setor que cresce rapidamente, movimenta bilhões e se consolida como infraestrutura essencial da economia digital, a valorização dos trabalhadores precisa fazer parte dessa discussão.
É nesse cenário que o SINDPD/SC se posiciona de forma clara:
não aceitaremos que o avanço tecnológico seja utilizado como justificativa para precarizar o trabalho, reduzir direitos ou ampliar a exploração.
A tecnologia pode e deve melhorar a vida de quem trabalha.
Se a produtividade aumenta, é legítimo que os trabalhadores reivindiquem:
aumento real de salário
redução da jornada de trabalho
melhores condições de trabalho
participação justa nos resultados gerados
A disputa não é contra a tecnologia.
A disputa é sobre quem se beneficia dela.
O SINDPD/SC estará atento aos impactos da inteligência artificial no setor e atuará junto aos trabalhadores de TI para enfrentar demissões, denunciar abusos e fortalecer a organização coletiva da categoria.
Porque no fim, existe uma verdade que nenhuma tecnologia substitui: não existe inteligência artificial sem o trabalho humano.
E sem valorização, não existe desenvolvimento justo.







