SEM PROPOSTA, SEM AVANÇO E SEM RESPEITO AOS ACORDOS: GREVE ESTÁ MANTIDA


A reunião realizada nesta sexta-feira entre o SINDPD/SC, o secretário de Estado da Administração, Vânio Boing, e a direção do CIASC terminou sem qualquer proposta para os trabalhadores.
Apesar da gravidade da situação e da proximidade da greve aprovada em assembleia, o Governo limitou-se a repetir que pretende implantar o PCCS apenas em janeiro de 2027. Nenhuma alternativa foi apresentada. Nenhum compromisso novo foi assumido.
Durante a reunião, o secretário pediu reiteradamente que o sindicato refletisse sobre a greve e afirmou diversas vezes que a paralisação não seria boa para ninguém. Em vários momentos, os representantes dos trabalhadores interpretaram suas manifestações como uma tentativa de pressão sobre a categoria e até mesmo com tom de ameaça diante da decisão soberana tomada em assembleia.
Diante dessa postura, o advogado do SINDPD/SC, Dr. Nilo Kaway Júnior, questionou diretamente o secretário sobre o teor de suas falas e sobre a pressão exercida durante a reunião. O secretário negou que estivesse fazendo ameaças. No entanto, o que se viu ao longo de todo o encontro foi uma tentativa de convencer os trabalhadores a recuar da greve sem que fosse apresentada qualquer proposta concreta para resolver o impasse.
Enquanto o Governo pedia reflexão à categoria, não apresentou nenhuma solução, nenhum cronograma diferente e nenhum compromisso novo capaz de ser levado à apreciação dos trabalhadores.
O sindicato foi categórico: a greve não foi criada pela direção sindical. A greve foi aprovada pelos trabalhadores em assembleia soberana após anos de espera, promessas não cumpridas e sucessivos adiamentos.
Somente neste governo, o CIASC já teve diversos presidentes. Essa constante troca de comando demonstra justamente a instabilidade e a imprevisibilidade que marcaram todo o processo de implantação do PCCS. Diante desse histórico, como aceitar mais um adiamento (voto de confiança)?
Os trabalhadores questionaram durante a reunião: quem pode garantir hoje que um compromisso empurrado para a próxima gestão será efetivamente cumprido? Quem pode assegurar que o governador será reeleito? Quem garante que os próximos gestores manterão o mesmo compromisso?
A categoria já ouviu promessas demais. O que os trabalhadores exigem agora não é uma nova promessa para o futuro, mas o cumprimento dos acordos já assinados e das decisões já assumidas pelo próprio Estado.
A direção sindical também rebateu a justificativa baseada na legislação eleitoral. Todos sabiam que haveria eleições quando os acordos foram assinados. O Estado teve tempo para agir e não agiu. Os trabalhadores não podem pagar pela demora da administração.
Também foram apresentados documentos, pareceres do GGG, resoluções e manifestações jurídicas que demonstram que o tema foi amplamente discutido dentro da própria estrutura do Estado. O sindicato destacou ainda que todos os envolvidos tinham pleno conhecimento do calendário eleitoral quando os compromissos foram assumidos e quando os documentos foram analisados e aprovados.
O sindicato reforçou que a categoria não está reivindicando nenhum benefício novo, mas exigindo o cumprimento de compromissos já assumidos pelo próprio Estado. Também foi lembrado que havia prazo suficiente para que as providências necessárias fossem adotadas anteriormente, sem que a situação chegasse ao atual impasse.
Ao final da reunião, o presidente do SINDPD/SC foi direto ao responder ao pedido de reflexão feito pelo secretário:
“Não somos nós que precisamos refletir. Quem precisa refletir é o Governo. Os trabalhadores já refletiram, já decidiram e aprovaram a greve. Sem proposta, a greve começa na quarta-feira.”
Diante da ausência total de avanços, da falta de qualquer proposta concreta e da manutenção do descumprimento dos acordos, a direção sindical retirou-se da reunião.
O prazo definido pela assembleia está mantido. Se não houver proposta concreta até terça-feira, a greve dos trabalhadores do CIASC começa na quarta-feira, dia 17 de junho.






