Parem de nos matar: a luta contra todas as formas de violência que atingem as mulheres


A violência contra as mulheres assume muitas formas e atravessa diferentes espaços da sociedade. Ela aparece nas agressões físicas e psicológicas, no assédio dentro dos ambientes de trabalho, na disseminação de discursos de ódio nas redes, nas desigualdades salariais e na dificuldade de acesso a posições de liderança. Em sua expressão mais brutal, aparece no feminicídio — quando mulheres são assassinadas simplesmente por serem mulheres.
No Brasil, os dados seguem alarmantes. Todos os anos, milhares de mulheres são vítimas de violência doméstica, assédio e feminicídio. Mesmo com avanços legais importantes, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, a violência de gênero continua sendo uma realidade que marca profundamente a sociedade brasileira.
No mundo do trabalho, essa violência também se manifesta de forma estrutural. Assédio moral e assédio sexual seguem sendo uma realidade enfrentada por muitas trabalhadoras, que convivem com humilhações, constrangimentos e abuso de poder dentro das empresas. Ao mesmo tempo, as mulheres ainda recebem salários menores que os homens e enfrentam barreiras maiores para chegar a cargos de liderança. Quando se observa o recorte racial, a desigualdade é ainda mais profunda: mulheres negras continuam sendo as mais afetadas pela precarização do trabalho e pelos menores rendimentos.
Essa realidade revela que a violência contra mulheres não é um fenômeno isolado, mas parte de uma estrutura histórica de desigualdade de gênero. Como escreveu a filósofa Simone de Beauvoir, “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. A história mostra que os avanços conquistados pelas mulheres nunca foram concedidos espontaneamente — foram fruto de organização, luta e resistência.
Nos últimos anos, também temos assistido a tentativas de relativizar direitos já conquistados, a discursos que naturalizam a violência e a movimentos que buscam deslegitimar políticas de proteção às mulheres. Defender os direitos das mulheres hoje também significa defender a democracia, o trabalho digno e a igualdade.
Durante toda esta semana, o SINDPD/SC publicou em seu Instagram @sindpdscnaluta uma série de conteúdos de denúncia e conscientização sobre as diferentes formas de violência que atingem as mulheres — do feminicídio ao assédio no trabalho, da violência simbólica à desigualdade econômica.
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina (SINDPD/SC) reafirma, neste Dia Internacional da Mulher, seu compromisso com a luta contra todas as formas de violência e desigualdade que atingem as mulheres. Ao lado das trabalhadoras da tecnologia da informação e de todas as mulheres, seguimos defendendo ambientes de trabalho livres de assédio, igualdade de oportunidades, respeito e dignidade.
A luta por direitos, por segurança e por igualdade ainda está longe de terminar.
E diante da violência que ainda tira a vida de tantas mulheres todos os dias, é preciso dizer com clareza: parem de nos matar.





