Trabalhadores de TI do Setor Privado aprovam pauta da Campanha Salarial 2026/2027 e reforçam mobilização por valorização da categoria


Os trabalhadores e trabalhadoras das empresas privadas de tecnologia de Santa Catarina aprovaram, na noite desta quarta-feira (1º), a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026/2027 durante Assembleia Geral Online promovida pelo SINDPD/SC. Em um amplo processo de debate e construção coletiva, a categoria definiu as principais reivindicações que serão levadas à mesa de negociação com o setor patronal, reafirmando que o crescimento bilionário da indústria da tecnologia precisa ser acompanhado de valorização para quem produz essa riqueza diariamente.
A assembleia foi marcada por um diálogo franco entre os trabalhadores e o Sindicato sobre os desafios enfrentados pela categoria. Ao longo do encontro, ficou evidente a insatisfação com a realidade vivida por muitos profissionais de TI: aumento da carga de trabalho, intensificação das cobranças por produtividade, adoecimento físico e mental, metas cada vez mais agressivas, jornadas extensas e benefícios que já não acompanham o custo de vida.
Apesar de integrar um dos setores mais lucrativos e estratégicos da economia brasileira, milhares de profissionais seguem convivendo com condições de trabalho que não refletem a importância da atividade que exercem. Empresas ampliam receitas, conquistam novos mercados e registram crescimento constante, enquanto trabalhadores seguem pressionados por resultados cada vez maiores, sem que essa evolução seja compartilhada de forma justa.
Foi justamente essa realidade que orientou os debates da assembleia.
Reajuste com ganho real e valorização profissional
Após amplo debate, a categoria aprovou como reivindicação um reajuste salarial correspondente ao INPC acrescido de 7% de ganho real, buscando recuperar o poder de compra e promover uma efetiva valorização dos trabalhadores.
Também foi deliberado que os pisos salariais da categoria deverão seguir a mesma lógica de valorização, utilizando como referência o piso estadual atualizado acrescido do índice aprovado.
A assembleia reforçou que a negociação coletiva precisa refletir o excelente desempenho econômico do setor de tecnologia, que segue entre os segmentos que mais crescem no país.
Benefícios mais justos diante do aumento do custo de vida
Outro eixo central da pauta aprovada trata da atualização dos benefícios. Os trabalhadores defenderam a necessidade de que o vale-alimentação e o vale-refeição passem a representar o custo real da alimentação, deixando para trás valores defasados que já não atendem às necessidades da categoria.
Entre as deliberações está a proposta de reajuste dos benefícios com base em pesquisas de mercado, garantindo seu pagamento durante os doze meses do ano, inclusive em férias e afastamentos legais.
Também foi aprovada a inclusão do auxílio-creche no valor de R$ 700,00 mensais, reconhecendo a importância de ampliar a proteção às famílias trabalhadoras.
Jornada de trabalho e combate ao adoecimento
A redução da jornada ocupou posição de destaque nas discussões. Os trabalhadores defenderam que a luta por jornadas menores deve fazer parte da negociação coletiva como medida concreta de combate ao adoecimento e de melhoria da qualidade de vida.
Ao longo da assembleia, foram debatidas propostas voltadas à redução da jornada semanal, sempre com o entendimento de que produtividade não pode continuar significando sobrecarga permanente para quem trabalha.
A pauta também incorpora reivindicações relacionadas ao direito à desconexão, à prevenção do burnout, ao enfrentamento do assédio moral e à implementação de canais independentes e anônimos para denúncias dentro das empresas.
Mais proteção à saúde dos trabalhadores
O avanço dos casos de adoecimento mental também foi tratado como uma das principais preocupações da categoria.
Entre as reivindicações aprovadas estão a complementação salarial durante afastamentos por doenças ocupacionais, o custeio integral dos tratamentos médicos relacionados ao trabalho e a responsabilização das empresas pela emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) quando houver reconhecimento do nexo entre a atividade profissional e o adoecimento.
Os trabalhadores também defenderam melhorias nos planos de saúde, limites para cobranças de coparticipação e políticas efetivas de prevenção às doenças relacionadas ao trabalho.
Teletrabalho, ergonomia e novas formas de trabalho
A assembleia aprovou ainda propostas voltadas aos profissionais que atuam em regime de teletrabalho.
Entre elas estão a criação de auxílio para despesas com energia elétrica e internet, subsídio para aquisição de equipamentos ergonômicos e regras mais claras sobre as responsabilidades das empresas em relação às condições adequadas de trabalho remoto.
Participação nos lucros, qualificação e direitos
A pauta construída pela categoria também contempla reivindicações para ampliar a participação dos trabalhadores nos resultados gerados pelo setor.
Foi aprovada a inclusão de cláusulas que tratam da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), com regras transparentes, metas objetivas e garantia de pagamento proporcional em casos de desligamento.
Também passam a integrar a pauta reivindicações relacionadas ao incentivo à qualificação profissional, com participação das empresas no custeio de cursos, graduações, pós-graduações e certificações ligadas à atividade desenvolvida pelos trabalhadores.
Outras propostas aprovadas incluem aperfeiçoamentos nas regras do banco de horas, ampliação das hipóteses de abono para acompanhamento de familiares em consultas médicas, licença por falecimento de parentes de segundo grau, melhorias nas políticas de mobilidade e atualização dos mecanismos de comunicação entre Sindicato e categoria.
A campanha salarial começa com organização
A assembleia deixou um recado claro: a negociação coletiva será tão forte quanto for a mobilização da categoria.
Enquanto as empresas de tecnologia seguem ampliando seus lucros e consolidando um dos mercados mais rentáveis do país, os trabalhadores reafirmaram que não aceitarão que a valorização do setor continue acontecendo às custas da intensificação do trabalho, da precarização das condições laborais e do adoecimento dos profissionais.
A Campanha Salarial 2026/2027 foi iniciada pelo sindicato já no mês de março, e agora ganha força com a assembleia, tendo como eixo central a defesa da valorização dos trabalhadores de TI, da melhoria das condições de trabalho e da construção de uma Convenção Coletiva que reflita a importância estratégica da categoria para a economia catarinense e brasileira.
Agora, o Sindicato dará início às negociações com o setor patronal levando à mesa uma pauta construída coletivamente pelos próprios trabalhadores, fortalecida pelo debate democrático realizado em assembleia e pela disposição da categoria em defender seus direitos e avançar em novas conquistas.






