TRABALHADORES DA RESOURCE TECNOLOGIA DENUNCIAM ATRASOS SALARIAIS E DISCUTEM GREVE COM O SINDPD/SC


Profissionais relatam salários e benefícios atrasados, ausência de depósitos do FGTS desde janeiro e falta de respostas da empresa. Sindicato tentou negociar por diferentes canais, sem sucesso.
Trabalhadores da Resource Tecnologia, empresa que terceiriza profissionais de tecnologia da informação para instituições públicas e privadas, procuraram o Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina (SINDPD/SC) para denunciar o descumprimento de direitos trabalhistas e discutir a possibilidade de greve.
Segundo os relatos recebidos pelo sindicato, os profissionais acumulam dois pagamentos salariais em atraso, estão há três meses sem receber benefícios e denunciam a ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) desde janeiro de 2026.
A situação tem provocado insegurança financeira, dificuldades para manter despesas básicas e pressão sobre trabalhadores que dependem de seus salários para sustentar suas famílias.
“Quem trabalha precisa receber. Salário não é favor, é obrigação.”
Sem pagamentos e sem informações concretas
Além dos atrasos, os trabalhadores denunciam a falta de informações sobre quando os valores devidos serão quitados.
Segundo um dos relatos, até 18 de setembro a empresa ainda encaminhava e-mails com possíveis datas de pagamento. Depois disso, os profissionais passaram a receber apenas comunicados relacionados à recuperação judicial do grupo empresarial.
A única comunicação disponível sobre os pagamentos, conforme outro trabalhador, ocorre por intermédio da gerente de operações, que costuma responder: “Infelizmente ainda não tenho atualização.”
Sem previsões concretas, os profissionais permanecem diante de compromissos financeiros que continuam vencendo, enquanto a empresa não apresenta soluções.
SINDPD/SC tentou negociar, mas empresa não respondeu
Diante das denúncias, o SINDPD/SC realizou diversas tentativas de contato com representantes da Resource Tecnologia, buscando esclarecimentos e a abertura de uma negociação.
O sindicato encaminhou mensagens por WhatsApp e e-mails a coordenadores e diretores da empresa, mas não recebeu qualquer resposta.
Para a entidade, a ausência de diálogo agrava o conflito e demonstra a necessidade de medidas coletivas para garantir o cumprimento dos direitos dos profissionais.
Não existe negociação quando a empresa sequer responde à representação dos trabalhadores.
O SINDPD/SC permanece aberto ao diálogo, mas cobra uma manifestação formal da Resource e a apresentação de medidas concretas para regularizar as pendências.
Crise do Grupo Qintess não afasta obrigações trabalhistas
A Resource Tecnologia integra o Grupo Qintess, que apresentou pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo em 24 de setembro de 2026.
Segundo informações divulgadas pela PreservaCred, o pedido envolve oito empresas do grupo e uma relação de aproximadamente R$ 497,97 milhões em dívidas. Desse total, cerca de R$ 138,53 milhões correspondem a créditos trabalhistas, envolvendo aproximadamente 1.500 credores.
Embora a recuperação judicial seja um instrumento legal de reorganização financeira, ela não autoriza o descumprimento generalizado das obrigações trabalhistas.
A terceirização também não reduz os direitos dos profissionais. A legislação prevê, conforme o tipo de contrato e as circunstâncias de cada caso, responsabilidades das empresas contratantes em relação às obrigações trabalhistas da prestadora de serviços.
A crise financeira é da empresa. Os trabalhadores não podem ser obrigados a pagar essa conta com seus salários e direitos.
Mobilizações em outros estados
As denúncias envolvendo empresas do Grupo Qintess também provocaram mobilizações sindicais em outras regiões do país.
Em São Paulo, trabalhadores realizaram greve entre abril e maio de 2026, após denúncias de atrasos salariais, irregularidades no FGTS e descumprimento de outras obrigações trabalhistas.
No Distrito Federal, profissionais vinculados à Qintess/Resource também realizaram mobilizações em agosto, envolvendo contratos de prestação de serviços de tecnologia em órgãos públicos federais.
Em Pernambuco, denúncias de irregularidades levaram o sindicato da categoria a buscar mediação junto ao Ministério Público do Trabalho.
Os episódios demonstram que os problemas trabalhistas relatados em Santa Catarina não são isolados e já motivaram ações de entidades sindicais em diferentes estados.
Trabalhadores discutem greve e sindicato cobra soluções
Diante da continuidade das irregularidades denunciadas e das tentativas frustradas de negociação, trabalhadores da Resource procuraram o SINDPD/SC para discutir a organização de uma possível greve.
A paralisação, caso seja deliberada coletivamente, terá como principais reivindicações a regularização dos salários e benefícios, o recolhimento dos valores devidos ao FGTS e a apresentação de respostas concretas pela empresa.
O direito de greve é assegurado pela Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 7.783/1989, observados os procedimentos legais aplicáveis.
O SINDPD/SC seguirá acompanhando as denúncias, reunindo documentos e organizando os trabalhadores para definir os próximos encaminhamentos, sem descartar a paralisação das atividades.
Os trabalhadores não estão pedindo privilégios. Estão exigindo o pagamento de direitos que já lhes pertencem.
A entidade reafirma que permanece aberta à negociação, mas exige que a Resource Tecnologia assuma suas responsabilidades e apresente soluções.
Trabalhador não é credor voluntário da empresa. Não escolheu emprestar seu salário, seus benefícios ou seu FGTS para financiar uma crise empresarial.
Fontes e referências
Relatos de trabalhadores encaminhados ao SINDPD/SC, outubro de 2026.
Informações do SINDPD/SC sobre tentativas de contato com a empresa.
PreservaCred — Grupo Qintess: recuperação judicial em 2026.
Constituição Federal, artigo 9º, e Lei nº 7.783/1989 — direito de greve.
Lei nº 8.036/1990 — FGTS.
Lei nº 11.101/2005 — recuperação judicial.
Lei nº 6.019/1974 — terceirização.








