Proposta patronal está na mesa: compare com a pauta aprovada pelos trabalhadores


Documento prevê INPC + 0,5% de ganho real, jornada de 42h30 semanais e VA/VR de R$ 32,50; SINDPD/SC apresenta comparativo para que trabalhadores conheçam o que foi proposto antes da assembleia
A proposta patronal para a Campanha Salarial 2026/2027 do setor privado de Tecnologia está formalizada e será submetida à avaliação dos trabalhadores e trabalhadoras.
O documento apresentado ao SINDPD/SC prevê, entre seus principais pontos, reajuste pelo INPC de 4,10% + 0,5% de aumento real, VA/VR de R$ 32,50, jornada de 42 horas e 30 minutos semanais e aplicação do mesmo reajuste aos pisos salariais.
A proposta também apresenta cláusulas relacionadas ao reembolso pelo uso de veículo próprio, acompanhamento de familiares, horário flexível e tratamento tributário de benefícios.
Agora, cabe à categoria conhecer exatamente o que foi colocado na mesa, comparar com a pauta aprovada pelos trabalhadores e decidir coletivamente os próximos passos da negociação.

REAJUSTE: 0,5% DE GANHO REAL DIANTE DOS 7% REIVINDICADOS
Na pauta aprovada pela categoria, o SINDPD/SC reivindicou reposição pelo INPC acrescida de 7% de ganho real, com aplicação a partir da data-base.
A proposta patronal prevê INPC de 4,10% a partir da data-base e 0,5% de aumento real a partir da aprovação e assinatura da Convenção.
Portanto, em relação ao ganho real, a proposta apresentada é de 0,5 ponto percentual diante dos 7 pontos percentuais reivindicados pela categoria.
JORNADA: PROPOSTA REDUZ DE 44 PARA 42H30
A jornada também aparece entre os pontos modificados pela proposta patronal.
Atualmente, a CCT estabelece 44 horas semanais para a maioria das funções, enquanto algumas atividades possuem jornada de 36 horas.
A pauta aprovada pela categoria reivindica jornada máxima de 36 horas semanais para todos, sem redução salarial, preservando jornadas inferiores já praticadas.
A proposta patronal estabelece 42h30 semanais, com implantação dois meses após a aprovação e assinatura da Convenção.
Para quem atualmente cumpre 44 horas, são 1h30 a menos de trabalho por semana. Mantido o salário, a redução representa uma valorização proporcional de aproximadamente 3,53% no valor da hora trabalhada.
Como exemplo, para um salário mensal de R$ 5.000, utilizando a equivalência proporcional da jornada, o valor da hora passa de aproximadamente R$ 22,73 na jornada de 44 horas para R$ 23,53 na jornada de 42h30.
Essa alteração no valor da hora também pode refletir no cálculo das horas extras, conforme as regras aplicáveis à jornada e à Convenção Coletiva.
A proposta não alcança as 36 horas reivindicadas pelo SINDPD/SC. Ao mesmo tempo, introduz no texto apresentado pela patronal uma redução da jornada atualmente praticada pela maioria da categoria.
Para o Sindicato, 42h30 ainda não é a jornada defendida pelos trabalhadores, mas a redução pode estabelecer um novo ponto de discussão para que a luta pelas 36 horas continue nas próximas negociações.
VA/VR: PROPOSTA PREVÊ REAJUSTE DE 4,84%
Na CCT vigente, o valor do VA/VR para trabalhadores com jornada de oito horas é de R$ 31,00 por dia efetivamente trabalhado. Na proposta apresentada pela patronal, o valor passa para R$ 32,50, o que corresponde a um reajuste de aproximadamente 4,84%.
A pauta aprovada pelos trabalhadores reivindica um valor significativamente superior: VR de R$ 58,77 por dia, equivalente a R$ 1.292,94 mensais considerando 22 vales, além de VA de R$ 913,43 por mês.
REEMBOLSO DE QUILOMETRAGEM: PROPOSTA CRIA CLÁUSULA, MAS NÃO FIXA VALOR MÍNIMO
O reembolso pelo uso do veículo próprio a serviço da empresa também aparece na proposta patronal.
A pauta do SINDPD/SC reivindica valor mínimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado e pagamento antecipado.
A redação patronal não estabelece esse valor mínimo. O texto prevê que as empresas reembolsem os trabalhadores que, mediante solicitação ou autorização prévia, utilizem veículo próprio para serviços, atividades ou deslocamentos de interesse da empresa.
A proposta estabelece ainda que o valor fixado por quilômetro rodado deverá garantir a cobertura integral dos custos com combustível, manutenção, depreciação e desgaste do veículo, vedando a fixação de valores que resultem em prejuízo financeiro ao trabalhador ou façam com que ele arque com os custos da atividade empresarial.
A diferença, portanto, está na forma de estabelecer essa proteção.
O SINDPD/SC reivindicou um piso objetivo de R$ 2,50 por quilômetro. A proposta patronal estabelece o princípio de cobertura integral dos custos, mas não determina um valor mínimo na Convenção.
Para o Sindicato, a redação ainda pode ser aperfeiçoada, especialmente pela ausência de um piso objetivo. Por outro lado, a inclusão do tema na proposta estabelece uma referência para que a discussão sobre o uso do veículo particular a serviço das empresas possa continuar sendo aprimorada nas próximas negociações.
ABONO DE ACOMPANHAMENTO: PROPOSTA NÃO CONTEMPLA TODA A AMPLIAÇÃO REIVINDICADA
A pauta sindical reivindica a ampliação das situações em que o trabalhador pode acompanhar familiares em consultas, exames, internações e outras situações previstas no documento, incluindo filhos, enteados e menores sob guarda até 16 anos, além de outras hipóteses.
A proposta patronal mantém alcance mais restrito, incluindo filhos de até 12 anos ou com deficiência, cônjuge e pais maiores de 60 anos, além das regras apresentadas para acompanhamento durante a gravidez e comprovação das ausências.
Portanto, há tratamento do tema na proposta, mas a ampliação reivindicada pelo Sindicato não foi integralmente contemplada.
HORÁRIO FLEXÍVEL NÃO SIGNIFICA REDUÇÃO DA JORNADA
A patronal também apresenta uma cláusula denominada “Horário Flexível”.
Pela redação proposta, a empresa poderá permitir ajustes nos horários de entrada e saída, segundo seus critérios e necessidades, desde que seja cumprida integralmente a jornada diária contratada. A compensação realizada nessas condições não será considerada hora extraordinária.
PROPOSTA TAMBÉM TRAZ CLÁUSULA SOBRE TRATAMENTO TRIBUTÁRIO
Outro ponto novo apresentado pela patronal é a cláusula de “Benefícios Convencionais e Tratamento Tributário”.
O texto trata da possibilidade de as empresas, quando legalmente permitido, avaliarem o aproveitamento de créditos tributários relacionados a benefícios como planos de saúde e odontológico, educação, vale-transporte, vale-refeição e vale-alimentação.
O próprio documento afirma que a previsão não representa autorização automática ou garantia de aproveitamento dos créditos e atribui a cada empresa a responsabilidade pela avaliação de sua aplicação.
Por isso, essa cláusula não deve ser confundida com a criação de novos benefícios para os trabalhadores.
REIVINDICAÇÕES IMPORTANTES NÃO FORAM CONTEMPLADAS OU ALTERADAS
Além das diferenças nos pontos econômicos, diversas reivindicações aprovadas pela categoria não foram contempladas na proposta patronal e permanecem sem alteração em relação às condições atualmente existentes, quando já previstas na CCT.
Entre elas estão as reivindicações de plano de saúde integralmente custeado pelas empresas, auxílio-creche de R$ 700, ajuda de custo de R$ 250 para home office, ampliação do auxílio-doença, auxílio-educação integral, PLR, licença-maternidade de 180 dias, licença-paternidade de 30 dias úteis, medidas específicas de proteção à saúde mental e direito à desconexão.
Também existem reivindicações relacionadas à ergonomia no trabalho remoto, banco de horas, vale-transporte, ampliação de licenças e outros direitos previstos na pauta.
É importante reforçar: “não contemplado / não alterado” não significa retirada de direitos existentes. Significa que a mudança ou ampliação reivindicada pelo Sindicato não foi incorporada à proposta apresentada pela patronal e, quando já existe regra na atual CCT, ela não aparece modificada no resumo apresentado.
UM SETOR QUE CRESCE E UMA CATEGORIA QUE PRECISA SER VALORIZADA
A negociação acontece em um dos setores mais dinâmicos da economia.
O mercado brasileiro de Tecnologia movimenta bilhões e registra crescimento expressivo. Esse desempenho depende diretamente do trabalho de profissionais que desenvolvem sistemas, mantêm infraestruturas, protegem dados, prestam suporte, desenvolvem produtos e sustentam diariamente a transformação digital.
É nesse contexto que a categoria precisa analisar o que está sendo apresentado. A pauta reivindica INPC + 7% de ganho real; a proposta patronal apresenta INPC + 0,5%. A categoria reivindica 36 horas semanais; a proposta apresenta 42h30. No VA/VR, a reivindicação também permanece distante do valor colocado na mesa.
Ao mesmo tempo, há temas novos ou alterações que precisam ser avaliados com atenção pelos trabalhadores, como a redução da jornada e a cláusula de reembolso pelo uso de veículo próprio.
O papel do Sindicato neste momento é apresentar essas informações com clareza e continuar defendendo a pauta aprovada coletivamente.
A PROPOSTA É DA PATRONAL. A DECISÃO É DOS TRABALHADORES.
A apresentação de uma proposta patronal não significa que o SINDPD/SC concordou com seu conteúdo ou que exista acordo fechado.
O documento será levado aos trabalhadores para conhecimento, debate e deliberação.
É a categoria que deverá avaliar o que foi apresentado, considerar as diferenças em relação à pauta aprovada e decidir coletivamente os próximos passos da Campanha Salarial 2026/2027.
Por isso, a participação na assembleia é fundamental.
Leia. Compare. Tire suas dúvidas. Converse com seus colegas. Participe da assembleia.
O Sindicato seguirá defendendo a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras de Tecnologia e as reivindicações construídas pela categoria.
FAÇA SEU PRÉ-CADASTRO
A proposta está na mesa e a decisão será dos trabalhadores e trabalhadoras. Para participar da assembleia do setor privado e ajudar a definir os rumos da Campanha Salarial 2026/2027, faça seu pré-cadastro.
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A proposta é da patronal. A decisão é dos trabalhadores.
A luta é de todos nós.







