NEGOCIAÇÕES DE TI PELO BRASIL: O QUE O CENÁRIO NACIONAL MOSTRA EM 2026


Levantamento nacional revela diferentes índices de reajuste, correções maiores nos pisos e benefícios e negociações ainda abertas em diversos estados. O cenário mostra que os desafios enfrentados pelos trabalhadores de Santa Catarina também estão presentes em outras regiões do país.
As campanhas salariais dos trabalhadores de Tecnologia da Informação avançam em diferentes ritmos pelo Brasil. Um levantamento compartilhado entre entidades sindicais reúne informações sobre negociações em 17 unidades da Federação: Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Pará, Piauí, Amazonas e Amapá.
O panorama nacional revela uma conjuntura marcada por negociações em diferentes estágios, reajustes salariais próximos aos índices inflacionários de cada período, correções específicas nos pisos e benefícios e dificuldades para alcançar ganhos reais.
Os resultados também mostram que a busca pela valorização profissional não é uma questão exclusiva de Santa Catarina, mas está presente nas campanhas salariais de diferentes estados brasileiros.
DATAS-BASE DIFERENTES, ÍNDICES DIFERENTES
Um ponto é fundamental para compreender o cenário nacional: os percentuais de reajuste não podem ser comparados isoladamente.
As categorias possuem datas-base diferentes. No levantamento, há negociações com data-base em maio, julho, agosto, setembro, outubro e novembro. Consequentemente, os períodos utilizados para calcular a inflação acumulada também são distintos.
Isso significa que um reajuste de 4,3% em uma categoria com data-base em maio e um índice de 5% em outra com data-base diferente não representam, necessariamente, maior ou menor ganho para os trabalhadores.
Para avaliar os resultados, é necessário considerar a inflação acumulada no período correspondente, a existência de ganho real e o conjunto de conquistas relacionadas aos pisos salariais, benefícios, jornada e demais cláusulas das convenções coletivas.
Mais do que comparar percentuais, o levantamento permite observar como os trabalhadores de diferentes regiões enfrentam suas negociações dentro de uma mesma conjuntura nacional do setor de tecnologia.
O MAPA DAS NEGOCIAÇÕES PELO BRASIL
O levantamento nacional reúne resultados de campanhas concluídas, propostas em discussão e negociações que permanecem abertas.
A tabela apresenta os principais índices e benefícios informados pelas entidades sindicais, permitindo visualizar as diferentes situações em cada estado.
Estado | Reajuste salarial | Pisos e benefícios | Situação |
|---|---|---|---|
Rio de Janeiro | 4% | Pisos: 5%, chegando a 7,93% no piso-base; VR: R$ 36,40 | Concluída |
Espírito Santo | 4,11% | Alimentação: R$ 35, com reajuste de 10,79% | Concluída |
Rio Grande do Norte | 5,11% | Reajuste também aplicado aos pisos | Resultado informado |
Paraná | 5% | Ampliação da licença-maternidade para 180 dias | Resultado informado |
Ceará | 4,5% | Primeiros pisos: 6,75% e 6,58% | Concluída |
Distrito Federal | 4,39% pelo IPCA | VR: R$ 42 | Resultado informado |
Goiás | 4,8% | VA: R$ 34,40 | Resultado informado |
Bahia | 4,3% | Reajuste superior para os pisos | Resultado informado |
Pará | 5% | Alimentação: R$ 40 por unidade | Proposta informada |
Santa Catarina | INPC + 7% de ganho real | Jornada de 36h; VR de R$ 49/dia; VA de R$ 450/mês | Contraproposta aprovada |
Pernambuco | Negociação em andamento | Proposta de 4,22%, sem ganho real, rejeitada | Aberta |
Minas Gerais | Não informado | Não informado | Aberta |
Paraíba | Não informado | Não informado | Aberta |
Piauí | Não informado | Não informado | Aberta |
Amazonas | Não informado | Não informado | Aberta |
Amapá | Não informado | Não informado | Aberta |
Rio Grande do Sul | Não informado | Data-base em novembro | Campanha prevista |
Atenção: os índices apresentados correspondem a períodos inflacionários distintos. Além disso, a tabela reúne resultados concluídos, propostas patronais e reivindicações dos trabalhadores. Os valores de Santa Catarina representam a contraproposta da categoria, e não um acordo firmado.
PISOS E BENEFÍCIOS TAMBÉM FAZEM DIFERENÇA
Uma característica observada no levantamento é a concentração de diversos reajustes salariais na faixa aproximada de 4% a 5%. Entretanto, essa informação precisa ser interpretada considerando as diferentes datas-base e os respectivos índices inflacionários.
Outro aspecto importante é a existência de negociações com percentuais diferenciados para os pisos salariais e os benefícios.
No Espírito Santo, enquanto o reajuste salarial foi de 4,11%, o tíquete alimentação/refeição recebeu correção de 10,79%, passando de R$ 31,59 para R$ 35. Para empresas que já praticavam valores superiores a R$ 35, foi estabelecido reajuste de 5% sobre o benefício.
No Ceará, o reajuste geral foi de 4,5%, mas os dois primeiros pisos receberam índices de 6,75% e 6,58%.
No Rio de Janeiro, a negociação também estabeleceu correções maiores para os pisos, chegando a 7,93% no piso-base, enquanto o reajuste geral ficou em 4%.
O Paraná também apresenta um exemplo de negociação que ultrapassa a questão salarial, com a ampliação da licença-maternidade para 180 dias.
Esses resultados demonstram que as campanhas salariais não podem ser avaliadas exclusivamente pelo índice geral de reajuste. Alimentação, pisos salariais, jornada, licenças e demais direitos econômicos e sociais também precisam ser considerados.
NEGOCIAÇÕES QUE CONTINUAM ABERTAS
O levantamento identifica estados nos quais as campanhas salariais ainda não foram concluídas.
Em Pernambuco, cuja data-base é setembro, a categoria enfrentou sucessivas rodadas de negociação. Uma das propostas patronais apresentadas previa reajuste de 4,22%, limitado à reposição inflacionária, sem ganho real.
A proposta foi rejeitada pelos trabalhadores, e a negociação permaneceu aberta.
Minas Gerais e Paraíba também aparecem no levantamento com negociações em andamento e data-base em setembro.
Piauí, Amazonas e Amapá integram a relação de estados com negociações ainda abertas, conforme as informações compartilhadas entre as entidades.
No Rio Grande do Sul, a data-base é novembro, o que coloca a campanha salarial em um calendário posterior ao de diversas outras regiões.
Essas informações demonstram que o cenário nacional de 2026 ainda está em construção. Enquanto algumas categorias já concluíram suas convenções coletivas, outras continuam negociando salários, benefícios e condições de trabalho.
SANTA CATARINA SEGUE NEGOCIANDO
Em Santa Catarina, a data-base dos trabalhadores de TI do setor privado é agosto, e a negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 ainda não foi concluída.
A proposta apresentada pela representação patronal previa reajuste correspondente ao INPC de 4,10%, acrescido de 0,5% de ganho real, vale-alimentação/refeição de R$ 32,50 e redução da jornada geral de 44 horas para 42 horas e 30 minutos semanais.
Na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 29 de setembro, os trabalhadores deliberaram sobre a proposta.
O resultado foi expressivo: 90,16% dos votos dos trabalhadores presentes rejeitaram a proposta patronal. Na mesma Assembleia, 81,48% aprovaram uma contraproposta para a continuidade das negociações.
O documento foi formalizado pelo SINDPD/SC e encaminhado às entidades patronais no dia 30 de setembro.
A contraproposta construída pela categoria estabelece como reivindicações centrais:
Reajuste salarial pelo INPC acrescido de 7% de ganho real, inclusive sobre os pisos salariais.
Jornada máxima de 36 horas semanais, em escala 5x2.
Vale-refeição de R$ 49 por dia, equivalente a R$ 1.078 mensais considerando 22 vales.
Vale-alimentação de R$ 450 mensais, com manutenção integral dos benefícios de alimentação durante as férias.
Ajuda de custo mínima de R$ 250 mensais para trabalhadores em regime de home office integral ou híbrido.
Plano de saúde com custeio mínimo de 50% da mensalidade pelas empresas.
Licença-maternidade de 180 dias e licença-paternidade de 30 dias úteis.
Auxílio-creche de R$ 350 mensais por filho, conforme as condições estabelecidas na contraproposta.
Direito à desconexão, ampliação dos abonos para acompanhamento médico de familiares, auxílio-educação e negociação de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A contraproposta também contempla complementação do auxílio-doença, reembolso pela utilização de veículo próprio a serviço da empresa e manutenção das demais garantias convencionais que não forem alteradas.
Além do encaminhamento oficial da contraproposta, o SINDPD/SC solicitou uma nova reunião com a representação patronal, com a maior brevidade possível, para apresentação e discussão das reivindicações aprovadas pela categoria.
UM CENÁRIO AINDA EM CONSTRUÇÃO
O panorama nacional demonstra que as dificuldades enfrentadas pelo SINDPD/SC não são uma realidade isolada. Em diferentes estados, as negociações seguem abertas ou foram concluídas com distintas combinações de reajuste salarial, ganho real, valorização dos pisos e ampliação de benefícios.
O desafio é nacional: transformar o crescimento do setor de tecnologia em valorização efetiva para os trabalhadores. Cada negociação apresenta condições específicas, inclusive datas-base e períodos inflacionários diferentes, que precisam ser considerados na análise dos resultados.
Em Santa Catarina, a categoria já definiu sua posição, aprovou uma contraproposta e segue reivindicando melhores salários, redução da jornada e ampliação de direitos.
O SINDPD/SC continuará acompanhando a conjuntura nacional e mantendo os trabalhadores informados sobre os próximos passos da negociação coletiva em Santa Catarina.
FONTES CONSULTADAS
Levantamento nacional compartilhado entre entidades representativas dos trabalhadores de Tecnologia da Informação; informações e instrumentos coletivos divulgados pelas entidades sindicais da categoria, incluindo SINDPD-RJ, SINDPD-ES, SINDPD-CE e SINDPD-PE; documentos da Campanha Salarial 2026/2027 do SINDPD/SC; contraproposta oficial da categoria e resultado da Assembleia Geral Extraordinária de 29 de setembro de 2026.
Nota: as negociações possuem datas-base distintas e, consequentemente, diferentes períodos de apuração da inflação. Parte das informações do panorama nacional foi compartilhada entre entidades sindicais de TI e ainda depende de confirmação documental específica. Os dados estão sujeitos a atualização conforme novas negociações sejam concluídas e formalizadas.








