Regulação da tecnologia no trabalho: o Congresso começa a se mover e o debate é URGENTE


O avanço da tecnologia no mundo do trabalho deixou de ser apenas uma questão técnica. Agora, começa a se tornar uma disputa política.
O Congresso Nacional iniciou discussões sobre a regulação do uso de tecnologias no ambiente de trabalho, especialmente no que envolve inteligência artificial, monitoramento de produtividade e gestão automatizada.
Esse movimento não surge por acaso. Ele responde a uma realidade que já está instalada:
• uso crescente de sistemas de monitoramento
• algoritmos definindo ritmo e metas de trabalho
• aumento da produtividade sem redução de jornada
• decisões automatizadas que impactam diretamente os trabalhadores
A tecnologia passou a organizar o trabalho e, sem regulação, isso significa mais controle e menos proteção.
O QUE ESTÁ EM JOGO
A discussão não é sobre impedir inovação. É sobre definir regras. Sem regulação, o cenário tende a avançar para:
• intensificação do trabalho
• vigilância constante
• metas cada vez mais agressivas
• substituição de trabalhadores sem garantia de proteção
Ou seja: mais eficiência para as empresas e mais pressão para quem trabalha.
TECNOLOGIA SEM REGRA VIRA PRECARIZAÇÃO
No setor de TI, essa realidade já é visível. Ferramentas de automação e inteligência artificial estão sendo usadas para:
• reduzir equipes
• aumentar a carga de trabalho dos que permanecem
• justificar demissões
• ampliar o controle sobre produtividade
Ao mesmo tempo, o setor segue crescendo, faturando bilhões e ampliando investimentos.
A contradição é evidente: a tecnologia avança — os direitos não acompanham.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA A CAMPANHA SALARIAL 2026
A discussão sobre regulação da tecnologia está diretamente ligada à pauta da categoria.
Sem regras claras, qualquer negociação fica mais frágil. Isso impacta pontos centrais como:
• aumento real de salário
• redução da jornada para 40 horas
• limites para cobrança e metas
• condições dignas de trabalho
A tecnologia pode ser usada para melhorar a vida dos trabalhadores. Mas, sem organização e sem regulação, ela tende a ser usada para intensificar a exploração.
A POSIÇÃO DO SINDPD/SC
O SINDPD/SC acompanha esse debate e reforça um ponto central: inovação não pode significar retirada de direitos.
A regulação do uso da tecnologia no trabalho é necessária para garantir:
• transparência nos sistemas utilizados
• limites ao controle e monitoramento
• proteção contra decisões automatizadas injustas
• equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida
A DISPUTA É AGORA
O Congresso começa a discutir regras. Mas a história mostra: sem pressão social, a regulação tende a favorecer quem já tem mais poder.
Por isso, a Campanha Salarial 2026 também cumpre esse papel. Ela coloca no centro do debate uma pergunta que o avanço tecnológico não pode ignorar: quem se beneficia desse crescimento?
Se a tecnologia move a economia, os trabalhadores que sustentam esse sistema precisam ser valorizados. Sem isso, o que se constrói não é progresso.
É desigualdade com alta tecnologia.







