11/01/2012
O índice oficial de inflação no país é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O ano de 2011 fechou no teto da meta do governo em 6,5% – a meta de inflação no ano foi de 4,5% com margem de 2% para mais ou para menos. Esse foi o maior índice registrado em 7 anos quando em 2004 ficou em 7,60%.
No entanto, pela experiência de vida de todo trabalhador, fica evidente que o impacto da inflação foi sentido de forma muito mais intensa que o índice oficial. Existem muitos números que demonstram isso.
No que diz respeito somente aos alimentos o IPCA registrou alta de 7,18% em 2011. A refeição fora de casa foi o destaque ficando mais cara 10,49%. A educação também pesou com alta de 8,06% no ano. As mensalidades dos colégios subiram 8,09% e dos cursos diversos (idioma, informática, etc.) tiveram alta de 10,52%. Quanto ao vestuário, subiu 8,27%, com as roupas aumentando 8,33% e os calçados 8,04%.
Outros destaques negativos foram: aluguel residencial, taxa de água e esgoto e planos de saúde. O aluguel residencial fechou 2011 com alta de 11,01%, a taxa de água e esgoto em 8,30% e os planos de saúde em 7,54%.
Mas o grupo que mais subiu em relação ao ano anterior foram os transportes. As passagens aéreas chegaram a subir 52,91%, o ônibus urbano 8,44% e a gasolina 6,92%.
A Cesta Básica também teve expressiva alta
Em 2011, três das 17 capitais onde o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, apresentaram alta acima de 10% no preço do conjunto de produtos alimentícios essenciais que formam a cesta básica. As maiores elevações foram apuradas em Vitória (13,80%), Belo Horizonte (11,75%) e Florianópolis (10,20%). Em termos nominais, os preços das maiores cestas básicas foram registradas em São Paulo (R$ 277,27), Porto Alegre (R$ 276,86) e Vitória (275,39).
Para comprar uma cesta básica, o trabalhador que ganha o salário mínimo precisou cumprir, na média das 17 capitais pesquisadas pelo DIEESE, uma jornada de 97 horas e 22 minutos em dezembro de 2011, que corresponde a mais de duas semanas de trabalho com base na jornada de trabalho máxima determinada legalmente no país de 44h semanais.
Sobre os reajustes dados no salário mínimo e aos aposentados e pensionistas
O salário mínimo necessário, de acordo com o preceito constitucional, tem que ser “capaz de atender às suas necessidades (do trabalhador) vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social” (Constituição Federal de 1988, art 7º, inciso IV). Para que isso fosse garantido, o salário mínimo deveria ser no país em dezembro de 2011 no valor de R$ 2.329,35 segundo o DIEESE. Mesmo com o recente aumento do salário mínino, que a partir do dia 1º de janeiro deste ano passou a ser de R$ 622,00, representando um reajuste de 14,13%, ele ainda está 3,75 abaixo do necessário.
A pior surpresa ficou para os aposentados e pensionistas. A correção de 6,08% das aposentadorias e pensões para quem ganha acima de um salário mínimo gerou revolta entre os beneficiários, pois o reajuste ficou abaixo da inflação oficial do país. Quem ganhava entre R$ 545 e R$ 587 viu sua renda mensal ser reduzida ao salário mínimo, vigente agora em R$ 622. Esse é o caso de 311 mil beneficiários em todo Brasil, mesmo que tenham contribuído com base em mais de um salário mínimo quando estavam na ativa, segundo a prórpia Previdência Social.
Em levantamento realizado pela Confederação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Cobap) foi apurado que desde 1994 os reajustes dados pelos governos ao longo destes anos para quem ganha aposentadoria ou pensão no valor acima de um salário mínimo, quando comparado ao aumento que foi dado ao próprio salário mínimo, teve perdas acumuladas de 76,54%. O que vem provocando um achatamento das aposentadorias e pensões nivelando os valores cada vez mais pelo piso.
Mas nem todos no país amargam com a alta generalizada dos preços. Deputados e senadores se auto-concederam neste ano um reajuste de 62% e a própria presidente ganhou um reajuste de 132% no seu salário. Para os bancos também sobra dinheiro. A dívida externa e a dívida interna tiveram pagamentos recordes neste ano, tendo como destinação principal o bolso dos banqueiros. Nada menos do que 49,15% de todo o orçamento da União em 2011 foi programado para o pagamento das dívidas, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida. Não por acaso, os lucros dos bancos no país não param de crescer. Só nos últimos 14 anos cresceu 1.575%, uma média de 112% ao ano.
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